
Blog reaberto excepcionalmente para publicar a foto e a nota:
Agraciado com um cruzeiro pela costa brasileira, o casal Marques da Silva, antes do embarque em Santos, fez um pit-stop nos elegantes Jardins da capital paulista.
Na Oscar Freire, além das vitrines de grife, eles se encontraram com o deputado-estilista Clodovil.
No flagrante, o maridão Vlad retrata a esposa Dilene ao lado do mais polêmico parlamentar da República.
ps: E que ninguém nos ouça, mas corre à miúda que, indeciso com o traje a ser usado no "Jantar do Comandante", Vlad pediu uma dica fashion ao neo-deputado. Ninguém sabe, ainda, se Vlad apareceu no tal jantar num figurino by Clô.
As postagens neste blog terminam definitivamente aqui. Como já dito no post abaixo, o escriba, agora, lavra habitualmente no Terra.
Estou com dificuldades técnicas em postar no UOL. Temporariamente os textos serão publicados no endereço:
Perdemos da França. Perdemos porque temos um treinador banana, apático. Parreira via que o time não estava rendendo e protelava substituições em nome de uma suposta coerência. Invocar coerência pra não mudar o time quando é público e notório o desacerto do conjunto é monumental burrice. E quando Parreira substituía, o fazia muito tarde, nos finais das partidas.
Escalava mal, é fato. Mas não é o pior. Um líder tem que motivar a equipe. Gerar significado, fazer o time ter pegada de vencedor. E, nesta Copa, o Brasil nunca teve um tico da garra que se espera de um time vencedor. Muito pelo contrário. A Seleção em campo era a cara letárgica e burocrática do treinador.
E não tem essa história imbecil de jogar mal e vencer. Jogamos mal pra chuchu e tomamos um “vareio” da França, que jogou bem, abusou da técnica refinada, enfim, jogou bonito e venceu.
Retrato do jogo, síntese perfeita: Zidane, no meio do segundo tempo, domina a bola com classe na meia cancha e dá um chapéu em Ronaldo.
Perder é do esporte. Mas perder sem luta é de doer. Triste, melancólico.
Agora é torcer para Portugal do Felipão. Um time com poucas estrelas e tecnicamente limitado, é verdade. Mas é um time que dá gosto de ver, cheio de vontade, que briga, divide e verdadeiramente está disputando uma Copa do Mundo.
Tudo que o estrelado escrete do Parreira não foi.
Mantiqueiros ouriçados e o “mundinho Caras”
O PIB mantiqueiro está ouriçado. Não se fala em outra coisa. Sid Bê, o crepuscular, tem grandes chances de ser o candidato a vice-governador na chapa encabeçada por José Serra. O ex-prefeito de Sampa, dizem as pesquisas, só perde o trono do Bandeirantes para um tsunami ou coisa do tipo.
Em se confirmando a indicação e a quase certa eleição do Serra, esta Sanja, como berço político do ‘number two’, vai estar inserida no sofisticado circuito “mundinho Caras” deste pujante estado. Quiçá do Brasil. Quiçá do mundo.
Nos elegantes salões crepusculares, políticos, socialites, empresários e arautos da estética fútil já estão se mexendo pra adequar esta província aos holofotes vindouros.
Este cronista, caricatura de repórter, apurou que uma reunião secreta com medalhões do establishment já se deu para tratar dos preceitos “mundinho Caras”. Do encontro, saiu o esboço das “Medidas Prementes para os Novos Tempos Crepúsculo-Mantiqueiros”.
Segue abaixo a transcrição ‘ipsis literis’ do documento:
“1- Novo hotel. São João não tem hotéis adequados para hospedar altas autoridades e emergentes do ‘mundinho Caras’. A Prefeitura poderia doar uma área no Bairro Alegre para a construção do empreendimento. Sugestão: contatar a rede Hilton e abrir negociação para a edificação do ‘Hilton Twilight Happy Village Mantiqueira’. Aproveitar o gancho da inauguração do cinco estrelas da família Hilton e mover fundos e mundos para trazer a loirinha espevitada e herdeira dos hotéis —Paris Hilton, aquela que gravou com o namorado um vídeo pornô que circula na internet. A presença da moça colocaria São João na mídia do planeta. Consta que Paris é volúvel e adora se envolver com nativos. Pensem na manchete: ‘Paris Hilton vive tórrido romance às margens do Jaguari’.
2- Novo restaurante. Paladares requintados não se satisfazem por estas plagas. Laurent Suadeau é um renomado chef francês que desde os anos 80 está no Brasil. O chef é conhecido por colocar o conceito da maravilhosa culinária gaulesa a serviço de ingredientes locais. O seu purê de mandioquinha já faz parte da antologia gastronômica brasileira. Sugestão: instigar Laurent a fundar por estas bandas o ‘Macaúba Crépuscule Cuisine’, onde, óbvio, teríamos um menu inspirado no exótico coquinho. ‘Salmão ao molho de macaúba’, ‘Filé de cordeiro flambado no licor de macaúba’, ‘Suflê de macaúba com amêndoas’, ‘Baby beef com farofa de macaúba’, ‘Petit Gateau com sorvete de macaúba’, etc. São João estaria nas cabeças no ‘Guia 4 Rodas’ (nota do cronista: e este escriba estaria bem mais gordo).
3- Novo café. Políticos gostam de conjecturar entre goles do ‘licor da rubiácea’. A Starbucks, cadeia mundial de cafeterias, anunciou em Chicago que intenta abrir em São Paulo sua primeira unidade no Brasil. Sugestão: como no anúncio não ficou muito claro se São Paulo é no sentido cidade ou estado, usemos como arma de sedução nosso cenário montanhoso para que, no Brasil, o famoso café seja inicialmente degustado ao pé da Mantiqueira. Da vizinha Pinhal, emissário dos irmãos Ribeiro liga pra avisar que eles topam investir os tubos pra abrir a primeira franquia nos domínios da Beloca.”
ps: Findo a crônica e leio no UOL que Alberto Goldman será o vice de Serra na chapa tucana para o governo do estado. Não é desta vez que Sanja vai ser foco dos holofotes do “mundinho Caras”. Não é desta vez que o Hilton vai se instalar no Bairro Alegre. Não é desta vez que Laurent vai se aventurar com as macaúbas. E não é desta vez que a Starbucks vai coar café com a água do Jaguari.
Pais fanáticos eternizam nos filhos os nomes dos ídolos
Época de Copa e o fanatismo pelo esporte mais popular do país está nas ruas. O Brasil pára em dia de jogo da Seleção canarinho. Veículos e fachadas são ornados com indefectíveis motivos nas cores do pavilhão nacional, famílias e turmas de amigos se reúnem para torcer e dar forma àquilo que a crônica esportiva de antanho chamava de “pátria de chuteiras”.
Tem os fanáticos de ocasião, que nada entendem do esporte e não acompanham o futebol no período extra-Copa. Estes são os pirotécnicos sazonais que só espocam os fogos de quatro em quatro anos.
E tem os fanáticos “full-time”. Os fanáticos não sazonais são milhões e milhões de brasileiros que acompanham os campeonatos futebolísticos pelo Brasil e pelo mundo. Torcem apaixonadamente, discutem táticas, maldizem técnicos e jogadores que, segundo eles, não fazem jus à grana que embolsam, polemizam no boteco com torcedores rivais e desmarcam qualquer compromisso familiar para acompanhar aos jogos do time do coração. Mais do que torcer pelo seu escrete, o fanático adora secar os grandes rivais. Torcer contra também é grande prazer para o fanático.
Xico Sá, colunista genial da Folha, é um grande secador. Ele diz sobre o “habittus secanddi”: “Torcer, vá lá, tem seu valor; mas bom mesmo é secar. Eu seco, tu secas, ele seca. Secar é a expressão máxima de um certame por pontos corridos. Não basta fazer a sua parte, tem que botar o olho grande no time do próximo.”
E tem também os ultra-fanáticos que extrapolam na paixão. Não contentes em padecer de todos os sintomas já citados, eles ainda gravam na prole os nomes dos ídolos. Eternizam nos rebentos sua paixão pelo ludopédio. Aliás, fanático também gosta de demonstrar uma certa erudição e explicar que “ludopédio” quer dizer “jogo com os pés”.
Givanildo
O Corinthians de 1977 fez história. Naquele ano, o time bateu a Ponte Preta na final do Campeonato Paulista e encerrou um jejum de mais de duas décadas sem títulos. A equipe de então tinha um volante cheio de garra e marcador implacável. De origem pernambucana, Givanildo teve boa passagem pelo Parque São Jorge, caiu nas graças da fiel torcida e, por tudo isso, atuou em algumas partidas até pela Seleção Brasileira.
Cá nesta Sanja crepuscular, Givanildo foi homenageado pelo feirante e ex-corintiano fanático Alceu Marcondes. No mesmo ano histórico de 1977, Alceu acompanhava com fervor religioso os jogos do Timão e, quando do nascimento do filho, não teve dúvidas e mandou grafar no Registro Civil: Givanildo Benedito Marcondes.
No fim dos anos 70, Alceu enchia o peito e respondia com muito orgulho quando lhe indagavam sobre o nome do filho.
Hoje, desiludido com o futebol, Alceu ou “seu Neu”, como é mais conhecido, diz que não repetiria a homenagem: “O futebol perdeu todo o encanto romântico de épocas passadas. Hoje só se pensa no dinheiro, acabou o amor à camisa.”
Givanildo seguiu a profissão do pai e também é feirante. Nas horas vagas ele solta a voz como o Sena, da dupla sertaneja sanjoanense Sena e Suez. Canta ainda em festas e eventos em parceria com a conhecida musicista Carmela Cirto.
Pai de Gabrielle, Givanildo é apaixonado por música e não é muito chegado em futebol. Se sua esposa Joelma desse à luz um menino não repetiria o gesto do pai: “Não tenho nenhum ídolo no futebol. Acho que os jogadores só vêem dinheiro na frente. Não pensam em outra coisa.”
.Zé Corintiano
Gonçalo Josué Grilo, conhecido nas esquinas crepusculares como Zé Corintiano, também registrou um dos rebentos com o nome de um ícone da Fiel mosqueteira.
Lateral esquerdo dotado de um refinado toque de bola, Wladimir é dos maiores símbolos da história corintiana. Também era integrante da lendária esquadra de 1977 que tirou o Timão da longa abstinência de canecos.
Além de bom com a bola no pé, Wladimir tinha uma cabeça rara entre boleiros. Politizado, e por isso líder, foi, ao lado do doutor Sócrates, um dos artífices da “Democracia Corintiana” no início dos anos 80. Teve intensa participação política, também, no movimento “Diretas Já”, que pedia a volta de eleições diretas para presidente da República.
E cá no pé da Mantiqueira, o fanatismo e a emoção pelo título de 1977 fizeram Zé Corintiano e sua esposa Nilcí, também apaixonada pelo alvinegro, batizar de Wladimir o filho caçula.
E Wladimir honra as letras do legado paterno. Ele, como toda a família, é um corintiano “doente”, que faz de tudo para assistir aos jogos do Timão. Quando o clã Grilo se reúne para torcer, uma série de rituais precede o apito inicial. A imagem de São Jorge e uma vela acesa têm que estar sobre a TV. Todos se sentam no mesmo lugar em todos os jogos. Mesmo após o pipi no intervalo todos têm que voltar para seus respectivos assentos.
Zé Corintiano e Wladimir, como fiéis “religiosos” no torcer, não engolem essa história de segundo time. Aqui, no Rio, na Bahia, na Austrália, em Marte, eles são corintianos em qualquer lugar e ponto.
Wladimir vibra com uma enorme bandeira alvinegra e a cada decisão, a mãe que é costureira, faz aumentar a paixão pelo time e a metragem quadrada do estandarte.
Uma historieta tragicômica ilustra bem o fervor mosqueteiro dos Grilo. Quem conta é o patriarca Zé Corintiano: “Na hora em que velávamos a minha sogra, o Corinthians tava jogando com o Palmeiras. Dei um jeito de escapar para ouvir o jogo no rádio do carro. Quando o féretro rumava ao cemitério, ao passar perto do carro em que eu estava, o Viola marcou para o Timão. Não agüentei e vibrei junto com o locutor. Levei o maior fumo da minha cunhada.”
E a paixão hereditária ainda queima da família Grilo. Wladimir seguiu os passos do pai e gravou Wladimir Júnior no menino que hoje está com três anos. E se a “dona cegonha” mandar outro moleque, vai se chamar Marcelo, em tributo a outro ídolo da Fiel: Marcelinho Carioca.
No cartório
Procurada pela reportagem, a oficial de Registro Civil, Doraci Aparecida Ferrari, disse que em São João, nos tempos atuais, não é muito comum homenagens do tipo: “As pessoas se inspiram mesmo é com nomes de personagens de novelas. Acho que no passado era mais comum os pais batizarem seus filhos com nomes de jogadores famosos. Tem muito “Rivelino” por aí. Hoje em dia, em São João, quase não ocorre.”
E se o nome escolhido pelo fanático progenitor representar risco de exposição ridícula ao filho, o oficial do cartório tem amparo legal para recusar o registro.
Portanto, fanático leitor, pense bem antes de escolher o nome do filho. Vagner Love, por exemplo, nem pensar. Beijoca e Gilson Batata, pior ainda.
Corintianismo
Ao planejar a matéria, este arremedo de repórter intentava abarcar diversas colorações clubísticas. Em vão. Pesquisei, disparei e-mails, pedi ajuda, escarafunchei aqui e acolá. Diversidade nenhuma, o fanatismo é quase só alvinegro. Como tricolor até a raiz dos cabelos, queria uma história do Morumbi. Queria. O corintiano é um devoto febril do escudo do time e não tem pudor nenhum em gritar essa devoção. Como disse um dos Grilo: “Eu fico arrepiado quando o Corinthians entra em campo.”
Recreações carnais
O fotógrafo da Folha captou a comemoração logo após Kaká estufar a rede croata. A foto, tirada numa badalada churrascaria de Sampa, mostra as figuras de braços erguidos comemorando o gol brasileiro. No primeiro plano, Chitãozinho, Serra e Alckmin. Um passo atrás, tucano Bê, o crepuscular, fazia figuração para o instante de vibração.
Findada a peleja, todos concordaram nos confetes a Kaká e Dida e na malhação impiedosa à lentidão fenomenal de Ronaldo.
Em campanha, Serra e Alckmin saíram rapidinho e foram cuidar da vida. Faminto, tucano Bê chamou o garçom e pediu sua “inscrição” no rodízio.
Enquanto se entregava aos prazeres de traseiros —bovinos, diga-se—, o crepuscular de alta plumagem teve um dedo de prosa com o repórter. Prosa que foi constantemente interrompida pelos garçons que insistiam em oferecer opções diversas de recreações carnais ao tucano Bê:
Repórter: E a campanha tucana, Sid Bê? Como o senhor avalia as chances de Serra e Alckmin no pleito de outubro?
Sid Bê: O Serra é “picanha”. E picanha é preferência nacional. Carne nobre, macia, saborosa e quase unanimidade no gosto brasileiro. No plano estadual, não tenho dúvidas, estamos tranqüilos e só precisamos administrar a superioridade da “picanha” sobre o nosso adversário “acém”. Até porque, vamos e venhamos, acém é carne de segunda e dura de engolir. Já na esfera federal, reconheço, a coisa tá um pouco mais difícil. O “miolo de alcatra” Alckmin tem tanta qualidade quanto o “picanha” Serra. O problema é que nosso adversário, que é uma “carne” ordinária, bem chinfrim, tem o controle da máquina e compra hectolitros de leite de mamão pra amaciar a carne ruim que ele é. Maquiagem pura. Engodo. Mas as massas não conseguem discernir esta enganação perpetrada pelo “açougueiro” barbudo. A nossa máquina de propaganda precisa desmistificar esta empulhação.
Repórter: Estas metáforas carnais não estão muito elitistas, Sid Bê, já que a maioria do povo só tem condições de adquirir carne de segunda?
Sid Bê: Elitista está sendo você, meu caro. Não é porque o povo está acostumado com o seu churrasquinho de gato, magrinho, que não pode aspirar deleites carnais com traseiros mais nobres, voluptuosos. E bem entendido que eu falo estritamente no sentido gastronômico. Qualquer ilação libidinosa é fruto da sua pena maldosa.
Repórter: O senhor foi eleito pela plebe crepuscular e, lá na metrópole, conquistou altos cargos na esfera partidária. As atribuições, que são muitas, decorrentes destes cargos não podem sugar a energia do senhor para trabalhar pela província que o elegeu?
Sid Bê: Não posso acreditar que você está fazendo esta indagação tão provinciana. Que pobreza de espírito! Não vou gastar o meu erudito “tucanês” pra tão desprezível questiúncula. Só te falo uma coisa: pra fazer pela minha região, é melhor ser amigo do rei ou é melhor ser amigo do sub do sub do sub?
Repórter: Num eventual governo Serra especula-se que o senhor seria agraciado com uma Secretaria. O senhor tem preferência por alguma pasta?
Sid Bê: Sim, tenho. E para o seu regalo seria uma pasta bem a seu gosto, provinciana. Seria a “Secretaria de Assuntos Crepusculares, Mantiqueiros e Afins”.
Repórter: E de que cuidaria esta Secretaria?
Sid Bê: Sei lá. Tenho uma vaga idéia. Primeiro a gente cria a pasta, depois pensa nestes detalhes. Mas que o nome da Secretaria é bonito, é, hein?
Poder de síntese, meus caros, poder de síntese. É disso que eu preciso.
A editora deste centenário jornal pede um texto enxuto. O espaço é curto e prolixos não serão benvindos.
E o escriba, convenhamos, é um boquirroto de marca maior que adora longas divagações supérfluas que vão do nada a lugar nenhum. Mas, tudo bem, resignado, vou rezar o catecismo da editoria e fazer comentários curtíssimos sobre algumas notinhas da coluna “Fique por dentro”:
Nota 1: “O time de basquete de São João conseguiu uma vaga para disputar o Campeonato Paulista da Série A1. Porém, caso o time não arrume patrocinadores, poderá ficar de fora desta competição tão importante.” Comentário: Patrocinador eu não garanto, mas um pivô rotundo, lento, muito bom de pontaria, e que nas horas vagas é bancário e cronista, está à disposição da comissão técnica.
Nota 2: “É necessário que os empresários de São João passem a apoiar mais o esporte na cidade. Trata-se de oportunidade única para São João aparecer em todo o país com uma modalidade esportiva.” Comentário: E que aparecimento!! O time basqueteiro da província crepuscular com um inusitado pivô gorducho e suas cestas espetaculares.
Nota 3: “Até o momento ainda não saiu o relatório da 'CPI do Coqueiro', que é como ficou conhecida a CPI que investiga o desvio de remédios do Pronto Socorro. A pessoa que fez a acusação ainda não conseguiu provar. O jeito é esperar.” Comentário: Coqueiro? Lentidão? Esperar? Ah, meu rei! Té parece que cê num sabe como as coisas andam na Bahia. Vixe!
Nota 4: “Devido às inúmeras irregularidades encontradas na obra do Terminal Urbano, muitas pessoas acreditam que a melhor solução seria o cancelamento do contrato e a abertura de uma nova licitação.” Comentário: E não é só cancelar o contrato. Há que se instaurar uma CPI para apurar responsabilidades dos agentes públicos. E já que o povo tem gostado de CPIs com batismos cômicos, que tal 'CPI do Busão'? Ou seria melhor 'CPI do doente Terminal'?
Nota 5: Não tem nota e muito menos comentário. Acabou o espaço. Vá aproveitar melhor o seu dia. Vá, vá logo...
Ps: Rápido e curto. Em menos de três meses, acreditem, o blog do escriba já teve mais de mil acessos. Obrigado, galerinha!
Cegonhas rasgando os céus!
Amigos, muito amigos, mais que amigos, todos trabalhando bem pra encher este planeta de gente bacana.
Primeiro foi o casal bi-nacional. Chileno e Lê no arremate de 2005 comunicaram aos quatro cantos que estavam grávidos. E ainda estão.
No mês de Agosto, se Deus quiser, Mel vai chorar alto pra anunciar a esta Sanja o seu nascimento. Mistura maneira vai ser esta menina crepúsculo-chilena. Que mix!! O nervo-preocupado-ultraligado da mãe com a calma-laissez faire do pai. O consulado do Chile e a vó da Mel, dona Vera, vão se unir pra espocar os fogos da alegria natal.
De Goiás, primo Zé Augusto e sua darling Anapaula —assim mesmo, tudo junto— ligam pra avisar que a dinastia “Augusto” vai perdurar por mais algumas décadas. Os grávidos do pequi garantem que o venerável sufixo “Augusto” —que segundo mestre Houaiss quer dizer “que merece respeito, reverência; magnífico, majestoso, solene”— vai estar gravado no nome do rebento que vai nascer no fim deste ano. Se for “rebenta”, a menina não vai carregar um “Augusta”, que não soa muito bem. Os primos garantem que, neste caso, a literalidade augusta vai ficar de lado, mas o conceito augusto vai estar latente, qualquer que seja o nome escolhido.
Zé Augusto, o quase-papai, é mais que um primo, é um amigo desde as eras imberbes. Somos afins no humor cáustico e em algumas preferências lítero-jornalísticas, além da devoção-mor pelo mito Dona Fiuca, que vem a ser avó deste escriba e madrinha do primo-pequi. Só não entendo essa mania que tem o primo de correr grandes distâncias. De se exercitar! De manter a forma! Argh!
E tem mais Zé. O Zé Pedro que muitos desta Sanja conhecem, sei lá o porquê, como Tibúrcio.
O Zé, em muitos aspectos, foi um pai que eu não tive depois dos seis anos. Com o Zé viajei, com o Zé fui ao Morumbi pela primeira vez, com o Zé tomei minhas primeiras biritas. Do Zé levei algumas broncas e dele recebi aqueles conselhos tão comuns —e importantes— pra quem entra na adolescência. Tudo bem que a minha paternidade precoce revela que os conselhos não adiantaram muito. Só um irrelevante detalhe. Ele falou, eu é que não ouvi.
Sábado destes, só pra variar, estávamos festando no Solar do Tibúrcio. Uma suculenta feijoada espantava o friozinho de outono.
Lá pelas tantas, Elisana, essa moça ímpar que atura os fricotes e manias do marido, aterrissa na comilança pra noticiar que, depois de cinco décadas pajeando amigos e os filhos dos outros, o Zé vai ter uma cria própria pra lamber. A tia Áurea, do alto dos seus 90, vai ser vovó, gente!
Zé, meu querido primo e amigo, muito aprendi com você, mas sinto informá-lo que nessa história de ser pai a cátedra ainda está lá na Tereziano Vallim.
Crepusculares espalhados pelo globo, ouçam: depois de arrasar nos anos 70 com um Dodge Dart verde abacate, depois de ditar moda com tamanco “Dr. Scholl” e terno quadriculado “Mário Fofoca”, o Zé Pedro vai ser pai. E eu digo isso com muita alegria e orgulho.
Ps: Leitores incomodados com tanto viés pessoal na crônica, por favor, relevem as particularidades, olhem para seus filhos e louvem essa maravilha que é o milagre permanente das gerações.
N'O Muncipio de 20/05, a seção 'Leitores' abriga iracunda missiva da enfermeira do Posto de Saúde da Vila Valentim, Daniela Maschietto Yakushijin. Na carta, a moça, entre outras coisas, acusa este escriba de irresponsável e lavrador de bobagens por supostamente ter feito acusações a ela no texto “Digna Fubecada”. (ver postagem neste blog de 11/05)
Alguns esclarecimentos:
Na citada crônica, ao contrário do que ela diz, não fiz afirmação nenhuma. Simplesmente publiquei correspondência de um leitor que me pediu anonimato. Ele sim cita “uma enfermeira do postinho da Vila Valentim”, mas não nomina ninguém;
Publiquei a mensagem do leitor “Idoso Revoltado” —que diga-se, era uma crítica a outro texto meu— porque considero a pessoa digna de credibilidade;
A enfermeira Daniela acerta no atacado quando me tacha de “irresponsável” e “escritor de bobagens”. Qualquer vivente desta Sanja sabe disso. Mas ela erra cabalmente no varejo porque faz estas acusações fundamentada em algo que não saiu da minha pena;
A 'moça de branco' tem todo o direito de se defender. Só acho que ela erra o alvo. Sua fúria deve ser direcionada ao “Idoso Revoltado” e não a este reles cronista “irresponsável” e “bobajento”. Sou tudo isso, sim, mas por outras razões que certamente não são as de lavrar imputações caluniosas.
Durante e depois da onda de violência que assolou o estado de SP, até que o governador Cláudio Lembo mostrou altiva presença. Foi muito lúcido e não sucumbiu a tentações autoritárias. Até aí, tudo bem. Agora, daí a querer posar de paladino das esquerdas e meter o pau na 'elite branca', não dá. Logo ele, desde sempre Arena e agora um pefelê. Pensei em escrever algo sobre, mas o Clóvis Rossi 'chupou' minhas idéias e grafou na Folha o quê eu queria ter dito. Vai, Clóvis, detona:
"Che Lembo, a piada
Antes que a mídia e certos políticos transformem Cláudio Lembo no novo Che Guevara, uma breve ajuda-memória: 1 - Cláudio Lembo foi, durante anos, o braço direito de Olavo Setúbal, o patriarca do banco Itaú. Setúbal, como todo mundo sabe, é um dos sobrenomes mais clássicos e lustrosos da "elite branca" e da "burguesia", um autêntico "quatrocentão". Não consta que, durante todo o período em que trabalharam juntos, Lembo tenha pedido que o "burguês" Setúbal abrisse a bolsa ou lhe tenha cobrado as culpas pela miséria da pátria tropical. 2 - Lembo foi da Arena e, depois, do PDS, os dois partidos que deram sustentação à ditadura militar. Não consta que a ditadura fosse anti-burguesia nem que Lembo tenha feito críticas, por exemplo, às violações dos direitos humanos por ela praticadas, quando os "comunistas" abriam à força a bolsa da "burguesia". 3 - Lembo passou para o PFL, partido que está há 12 anos subordinado fielmente ao PSDB, apoiando todas as políticas que a "burguesia" não cessou de aplaudir, até porque cevada com o pagamento de juros obscenos. Como, de resto, o faz hoje o neo-amigo de Lembo, Luiz Inácio Lula da Silva. Não consta que Lembo tenha reclamado dessas benesses à burguesia nem que tenha descoberto antes a "deslealdade" de seus companheiros de viagem. Doze anos de distração é demais, não? Lembo tem, sim, entre outras, a grande qualidade de não se levar a sério e de ser capaz de rir de si mesmo, o que raramente acontece com os políticos, que se acham mais do que são. Não é culpa dele o surto recente de frases de efeito. É culpa dos que as levamos a sério. "
A segunda-feira, 15/05/2006, é um dia pra ser esquecido pelos paulistas. Ou melhor, deve ser sempre lembrado quando quisermos mostrar indignação com as políticas públicas de segurança. Fatos foram muitos, violentos e dignos de repulsa. Mas os boatos é que imperaram e provocaram transtornos na rotina das pessoas.
O cidadão de bem acuou ante o terror perpetrado pelo 'sindicato do crime'. Boatos ecoaram e, aturdidos, lojistas cerraram as portas, pais resgataram seus rebentos nas escolas e indústrias dispensaram seus empregados. No pós-almoço, o Estado bandeirante viu suas principais cidades se 'esconderem' ao longo da tarde.
Sarajevo? Bagdá? Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Na Limeira onde ganho o pão vi o centro da cidade assustadoramente deserto. Vi fortes e fracos. Rumores 'gorduchos' esmagando autoridades 'magricelas'. Sensação de pânico e impotência.
E que força têm os boatos quando a população fica exposta. Há reféns nas Casas Bahia, incêndio na loja Seller, dinamitaram o Banco do Brasil, uma gangue invadiu a Câmara e quatro foram mortos, na periferia o fogo destrói várias escolas, o Bradesco foi metralhado, tiroteio na praça. No caso de Limeira, como em muitos outros lugares, tudo balela. O diz-que-diz se espalhou feito rastilho de pólvora e amedrontou a população.
Demétrio Magnoli, com muita propriedade, lavrou na Folha: “De nada servem um governador e um secretário da Segurança impotentes diante de uma guerra de rumores. Enquanto os cidadãos se acovardavam, os boletins de notícias desempenhavam involuntariamente o papel destinado a eles no planejamento dos bandidos. Mas não passou pela cabeça vazia das autoridades o recurso elementar de, usando a legislação disponível, colocar a TV e o rádio em rede oficial, por todo o tempo necessário, a fim de desfazer a boataria, chamar as pessoas à razão e impedir o cancelamento da vida normal.”
Rede oficial esta que serviria, também, pra desfazer um boato em relação ao autor destas linhas. No meio do furdunço que foi a segunda-feira, um vigilante do banco me interpela com ar grave: “Tão dizendo por aí que você é filho do sub-tenente Valente. Complicado ter pai militar numa hora dessas, não?”. Embora sub, o militar Valente dever ser um homem de bem, temente a Deus e dotado de coragem que lhe faz jus ao nome cabra-macho. Louvo em prosa e verso o milhão de virtudes do sub-tenente Valente, mas sinto informar aos desavisados que nenhuma relação de parentesco tenho com este probo homem de farda.
Expressinho remember
Há alguns anos atrás, quando da venda do Expressinho São João para a Santa Cruz, este escriba botou a boca no trombone. Achava este inepto cronista que com a transação perderíamos um ícone crepuscular, afinal o Expressinho foi durante décadas, onde estivesse, um ‘consulado’ sanjoanense. Num primeiro momento, de certa forma, essa perda ocorreu. Os tradicionais coletivos do Expressinho, com sua característica pintura, foram substituídos por carros ‘alienígenas’ da nova empresa.
Sábado último, quando vagabundeava pela praça Joaquim José, vi que nem tudo está perdido, a humanidade ainda tem salvação. A Santa Cruz está apresentando à cidade os novos ônibus que operarão a linha SJ/SP. Os carros têm uma linda embalagem crepuscular —foto panorâmica da cidade com crepúsculo e tudo. A Sanja bairrista esta em êxtase. Na próxima viagem a SP tô com uma baita vontade de viajar no novo ‘busão’ do Expressinho, ops!, da Santa Cruz.
Pra quem quiser ler o choro de antanho:
http://escribalauro.blogspot.com/2005/03/era-uma-vez-um-nibus-multicolorido.html
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